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revista tempopsicanalítico



A FUNDAÇÃO DA REVISTA TEMPO PSICANALÍTICO

 

Regina Táccola (Psicanalista)


A revista Tempo Psicanalítico foi idealizada em 1978 na casa de Horus Vital Brasil. Lá estávamos, o dono da casa, Samuel Faro, Neyde Burlamaqui, Nahman Armony e eu. Faro, Neyde e Nahman faziam parte da segunda turma de formação do Instituto de Medicina Psicológica que transformara-se meses atrás em Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle. Havia também um novato, João Paulo dos Santos Gomes, ainda cursista, se não me engana a memória.
Eu pertenci à terceira turma e, empolgada, enquanto fazia minha formação no Instituto, fundei, com a aquiescência do Conselho Psicanalítico, o Centro de Estudos do Instituto de Medicina Psicológica, onde apenas os cursistas apresentavam seus trabalhos para discussão. Daí surgiu o Boletim do CEIMP, com nossos comentários sobre filmes, que eu conseguia serem projetados na bela casa alugada pelo IMP em Ipanema, bem como as discussões, muitas vezes inflamadas, sobre as idéias de autores de várias escolas e técnicas psicanalíticas ou psicoterápicas, de Freud a Rosen, passando por Sullivan e Winiccott. Nossa sociedade se propunha a estudar todas as abordagens e exigia para a publicação dos trabalhos apenas coerência.
Ao apresentar meu trabalho de final de curso, em 1974, me afastei do Boletim, pois, como já disse, havia sido combinado que só os cursistas fariam parte dele. Para minha tristeza, tanto o Boletim quanto o próprio CEIMP acabaram por encerrar suas atividades.
Na falta de uma publicação que representasse a, já em funcionamento, Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, batalhei por quatro anos até vencer a resistência do Conselho de Psicanalistas e, afinal, em 1978, consegui a supracitada reunião.
Vários nomes foram sugeridos para a recém-nata revista.
Lembro-me que Horus ainda disse já haver título parecido numa publicação da Civilização Brasileira, mas retorqui que essa não dizia respeito à psicanálise e que o momento vivido por nós era efervescente quanto às novas abordagens psicanalíticas com os linguistas, tipo Saussure, os antropólogos, como Foucault e sobretudo com a releitura de Freud feita por Jacques Lacan, cujos seminários nos chegavam às mãos em panfletos e eram devorados como folhetins.
Finalmente minha sugestão foi acatada por unanimidade. Pode-se, por isso, e com muito orgulho de minha parte, dizer que sou a madrinha dessa revista, agora já com 32 anos completos.
No primeiro número o editorial foi feito por Horus Vital Brasil, apontando para as dificuldades de se fazer a análise didática, como diz o título: Psicanálise sem instituição.

Seguem os artigos:
- Dialética Incorporação Desincorporação no Processo analítico, de Regina Taccola
- Novos caminhos da técnica psicanalítica, de Nahman Armony
- A interferência do real e do fantástico nas inovações psicanalíticas, de Thais Oliveira
- Uma síntese da experiência com terapia individual e de família, de Tess Forest
- Do hospital à instituição familiar, da família à instituição hospitalar de Malvine Zalcberg
- E sobre livros e publicações:
- Louco: o pássaro pintado, por João Paulo dos Santos Gomes
- Núcleo aglutinado: a parte depositada, por Regina Taccola
- No Apêndice se lê uma homenagem à mãe primeira, fundadora do IMP, naquela época já há muito falecida:
- A honra de pertencer ao gênero humano: Iracy Doyle, por Samuel M Faro.

Hoje a revista tem um corpo editorial que não pertence à SPID, o que me causa estranheza, mas fico feliz em ver que não morreu como soe acontecer com a maioria das publicações.

Rio, 27 de setembro de 2010.


• A responsabilidade dos artigos assinados é dos seus autores.


Abaixo notícia do Jornal do Brasil de 1978, sobre o primeiro número da revista Tempo Psicanalítico: