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FUNDADORES

Das primícias da SPID e suas primeiras turmas


José Durval Cavalcanti de Albuquerque


Iracy Doyle nasceu em 1911, fez o curso Normal, entrou para o magistério municipal e mais tarde ingressou na Faculdade de Medicina da antiga Universidade do Brasil, graduando-se em 1935. Em sua primeira viagem para os Estados Unidos em 1939, quatro anos depois da sua graduação médica, conseguiu uma bolsa para fazer uma pós-graduação em psiquiatria na Universidade de John Hopkins, no Children Psychiatric Service, tendo trabalhado com os doutores Leo Kanner e Adolph Meyer, na época, dois grandes expoentes da psiquiatria norte-americana. Podemos especular o quanto de uma valorização de prevenção vigente na época, associada a uma experiência de educadora, a empurrou para os estudos sobre a psicopatologia infantil.

Retornou ao Brasil em 1943 e fundou a Clinica de Repouso da Tijuca, complexo formado por um ambulatório, sanatório e escola de psiquiatria, bem nos moldes da Clínica dos irmãos Menninger em Topeka, Kansas.

Nessa época, os especialistas em psiquiatria tinham sua prática como eminentemente hospitalar. Eram seus pacientes, em sua maioria, oriundos de estratos sócioeconômicos inferiores, mantidos em permanente vigilância, tendo como tratamento básico a reclusão. Com a psicanálise, os psiquiatras, para elevarem o seu padrão de vida, começaram a restringir sua prática aos consultórios, diversificando e elitizando o seu trabalho. Foi nesta época que o termo “psiquiatria dinâmica” foi cunhado.

Neste momento, e na maneira como a psicanálise incidia entre nós, é que a nossa fundadora volta para os Estados Unidos. Seu objetivo era fazer uma formação psicanalítica. Inscreve-se no William Alanson White Institute, em Nova Iorque, e faz análise com Meyer Maskin, supervisionada por Clara Thompson, ex-analisanda de Sandor Ferenczi, tendo como colegas E. From e K.Horney, entre outros, traço indiscutível de um envolvimento com o movimento psicanalítico internacional. Ao voltar para o Rio desiste de entrar para a única instituição psicanalítica já existente (SPRJ), na medida em que esta só aceitava de maneira estrita a leitura kleiniana da obra de Freud. Existia um outro grupo em formação coordenado por W Kemper, mas também radicalmente freudiano, não aceitando outras contribuições.

Havia um núcleo inicial em torno da ideia de Iracy Doyle edificar o Instituto de Medicina Psicológica e Psiquiatria Dinâmica. Por suposto, ganhou este nome por conta de razões em parte devido à via de entrada da psicanálise entre nós pela Medicina, particularmente na rubrica da Psiquiatria Legal. Era um grupo composto por Jayme Pereira, Américo Doyle Ferreira, Margarida Reno e Henrique de Novaes Filho (sendo que Jayme Pereira e Henrique de Novaes já trabalhavam na Clínica da Tijuca).

O IMP, ao ser fundado em 16 de abril de 1953, tinha como programa, além da leitura da obra freudiana e de vários de seus intérpretes, o estudo de ciências sociais, psiquiatria, antropologia cultural e filosofia contemporânea.

A primeira turma de formação, já em 1953, compunha-se de Horus Vital Brazil, Hélio Pellegrino, Rosita Mendonça, Ewald Mourão, Jorge de Souza Santos, Jayme Monteiro Pereira, Sérgio Botelho, Claudino Borges Neves, Urano Alves e Margarida Pimentel. Ainda nesta época, Clara Thompson esteve no Rio, quando promoveu conferências no IMP e no Instituto de Psiquiatria (IPUB).

Alguns anos depois uma segunda turma começaria a se formar com Edson Lannes e Hélio Carvalho. Não puderam seguir adiante. A morte precoce de Iracy, nas vésperas do exame para a Cátedra de Psiquiatria da Universidade do Brasil, em 1956, aos 45 anos de idade, amortalhou as expectativas, determinando um êxodo de candidatos e analisandos. Porém, deixou sementes que vieram a vingar na atual SPID e em outras instituições de reconhecida importância no movimento psicanalítico brasileiro e internacional.  

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